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Saúde e Bem-Estar nas Empresas Brasileiras

Saúde e Bem-Estar nas Empresas Brasileiras: entre o discurso estratégico e a realidade do trabalhador

Saúde e bem-estar nas empresas brasileiras: entre o discurso estratégico e a realidade do trabalhador

O tema “bem-estar corporativo” deixou de ser tendência e passou a ocupar espaço fixo nas pautas de conselhos administrativos e diretorias de RH no Brasil. Porém, uma investigação sobre dados de mercado, políticas internas e relatos de profissionais revela um cenário mais complexo: embora o investimento esteja crescendo, os resultados ainda são desiguais e, em muitos casos, superficiais.


📈 O crescimento dos programas corporativos de bem-estar

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Levantamentos recentes conduzidos por consultorias como a Aon e a Mercer indicam que a maioria das grandes empresas brasileiras afirma possuir estratégias estruturadas de bem-estar — envolvendo saúde física, mental, financeira e social.

Entre as ações mais comuns estão:

  • Programas de atividade física (ginástica laboral, assessoria esportiva, subsídio de academias)
  • Apoio psicológico via plataformas digitais
  • Campanhas internas de alimentação saudável
  • Programas de prevenção de doenças crônicas
  • Ações pontuais em datas como Janeiro Branco e Setembro Amarelo

De acordo com análises de mercado divulgadas por consultorias de benefícios, o investimento per capita em programas de saúde corporativa vem aumentando ano após ano, impulsionado por três fatores principais:

  1. Crescimento dos afastamentos por transtornos mentais
  2. Pressão por ESG e responsabilidade social
  3. Competição por talentos em setores estratégicos

No entanto, especialistas alertam: investimento não significa transformação cultural.


🧠 Saúde mental: o epicentro da crise silenciosa

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Dados divulgados pela ABRH Brasil apontam crescimento expressivo nos afastamentos relacionados a ansiedade, depressão e síndrome de burnout nos últimos anos.

O Brasil figura entre os países com maiores índices de ansiedade no mundo, segundo a OMS. Já o IBGE demonstra, em levantamentos de saúde populacional, aumento consistente nos relatos de sofrimento psíquico na população economicamente ativa.

O que a investigação revela

Entrevistas com profissionais de RH de empresas em São Paulo e Minas Gerais indicam que:

  • Muitos programas focam em “acesso” (plataformas de terapia), mas não atacam causas estruturais como metas abusivas.
  • Gestores intermediários nem sempre recebem treinamento para lidar com equipes emocionalmente sobrecarregadas.
  • A cultura de produtividade extrema ainda é valorizada em diversos setores.

Um gerente de RH de uma indústria do interior paulista, sob condição de anonimato, afirma:

“Temos programa de saúde mental, mas se o gestor pressiona por metas irreais, o colaborador não se sente seguro para dizer que está sobrecarregado.”


🏭 Condições estruturais ainda são o maior desafio

https://conteudo.imguol.com.br/c/parceiros/59/2021/08/16/linha-de-producao-de-fabrica-da-positivo-no-polo-industrial-de-manaus-1629115408363_v2_900x506.jpg
https://tasselo.com.br/storage/posts/desktop/crop/escritorio-open-space-o-que-e-e-quais-as-vantagens-deste-conceito-1628092753.jpeg
https://www.randstad.com.br/s3fs-media/br/public/styles/blog_article/public/2025-06/trabalho-em-turnos-legislacao.jpg?VersionId=wPzO1AWoX_zEukKcNY1iRoEuaQebO3ZQ&itok=LCvV4JGc

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Especialistas em medicina ocupacional ouvidos para esta reportagem destacam que o bem-estar corporativo não pode ser tratado como benefício isolado.

Segundo orientações técnicas do Ministério da Saúde, saúde no trabalho envolve:

  • Ambiente físico seguro
  • Jornada adequada
  • Prevenção de riscos ergonômicos
  • Clima organizacional saudável
  • Liderança preparada

Empresas que mantêm jornadas prolongadas, metas agressivas e comunicação verticalizada tendem a apresentar maior rotatividade e absenteísmo — mesmo quando oferecem benefícios de qualidade de vida.


📊 A diferença entre empresas que vivem e as que apenas divulgam o bem-estar

Em organizações onde o bem-estar é parte da estratégia real de negócio, observam-se:

  • Redução de afastamentos
  • Maior engajamento
  • Melhoria no clima organizacional
  • Retenção de talentos

Nessas empresas, o cuidado não se limita a ações pontuais, mas envolve:

✔️ Treinamento contínuo de líderes
✔️ Políticas claras de equilíbrio trabalho-vida
✔️ Monitoramento de indicadores de saúde
✔️ Escuta ativa dos colaboradores

Já em empresas onde o tema é tratado como marketing institucional, os programas tendem a ter baixa adesão e impacto limitado.


🎙️ Depoimentos colhidos na investigação

Colaboradora – setor financeiro (São Paulo):
“Temos aplicativo de terapia, mas ninguém consegue sair no horário. A pressão é constante.”

Diretor de RH – multinacional do setor logístico:
“Percebemos que o maior investimento não é no benefício, mas na formação da liderança. Se o gestor não mudar, nada muda.”

Médico do trabalho – indústria de grande porte:
“O número de queixas relacionadas a ansiedade aumentou muito após a pandemia. Hoje o desafio é estrutural.”


🔎 Conclusão investigativa

O Brasil vive um momento de transição no campo da saúde corporativa.

Avanços reais existem — principalmente nas grandes empresas e multinacionais. Contudo, a maturidade do tema ainda varia muito entre setores e regiões.

O principal aprendizado desta investigação:

Bem-estar não é benefício. É cultura organizacional.

Sem revisão de metas, processos, liderança e carga de trabalho, programas isolados tendem a funcionar apenas como paliativos.


📌 Caminhos para o futuro

Especialistas indicam cinco pilares para evolução do cenário brasileiro:

  1. Integração entre saúde física e mental
  2. Formação humanizada de líderes
  3. Indicadores claros de saúde organizacional
  4. Políticas reais de equilíbrio trabalho-vida
  5. Transparência na comunicação interna

Empresas que tratam saúde como estratégia — e não como campanha — apresentam resultados mais sustentáveis.

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